A revista Da Calçada, a primeira do Brasil a publicar poemas de pessoas em situação de rua, será o foco de uma roda de conversa que ocorrerá durante a 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). O evento, que acontece entre os dias 22 e 26 de julho, terá seu bate-papo marcado para o dia 24, às 17h30, na Casa da Leitura e do Conhecimento.
A roda de conversa, intitulada “Revista da Calçada – quando os invisíveis escrevem a cidade”, terá como destaque a experiência de autores que, por muito tempo, estiveram à margem das narrativas literárias. Lançada em fevereiro de 2026, a revista reúne 46 poemas criados por participantes de 41 oficinas de poesia organizadas pela Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro (SMAS). Essas oficinas foram realizadas entre junho e setembro do ano anterior, em mais de 15 centros de acolhimento, e foram conduzidas pelo escritor Léo Motta, que também já passou por essa realidade e é conhecido por sua trilogia “Há Vida Depois das Marquises”. Sua obra mais recente foi apresentada na Bienal do Livro do Rio, em 2025.
O projeto Super-Ação, idealizado por Motta em colaboração com a SMAS, visa promover a reintegração social e a expressão artística de pessoas em situação de vulnerabilidade. Durante a roda de conversa, além de Motta, participará Pedro Gerolimich, presidente da Imprensa Oficial da Cidade, que é a entidade responsável pela publicação da revista. Juntos, eles compartilharão detalhes sobre o processo colaborativo que deu vida aos textos, que envolveu a participação de 654 pessoas. Ao final do encontro, serão distribuídos exemplares da revista Da Calçada, acompanhados de leituras de poemas.
Os textos da revista refletem as experiências intensas e, muitas vezes, dolorosas de seus autores. Poemas como “Limite” expressam a tristeza e as marcas do passado, enquanto outros, como “Caminhada da Vida”, transmitem uma mensagem de esperança e a busca por um futuro melhor e pela reconexão familiar. Léo Motta ressalta a importância desse projeto: “Estamos tirando essas pessoas da invisibilidade, oferecendo acolhimento, cuidado e cultura. A revista é uma voz para quem nunca teve voz, e as Oficinas Poéticas demonstram o poder da arte participativa”.
Gerolimich, que assina o prefácio da revista, destaca que o conteúdo é “rico em memórias de uma cidade que vive e respira cultura, humanidade e novas esperanças”. O projeto Super-Ação, iniciado em maio de 2025, promove atividades semanais que incluem oficinas de poesia e visitas a locais de relevância cultural na cidade, além de dar origem ao Sarau Poético Marquises, que reúne exclusivamente pessoas em situação de rua e à revista Da Calçada.