A peça “O Último Dia” está em exibição no Centro Cultural Justiça Federal até esta quarta-feira, 29 de abril. A Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) do Rio de Janeiro tem utilizado o teatro como um meio eficaz para incentivar o debate sobre a violência doméstica e as medidas de prevenção ao feminicídio. Durante o mês de abril, mulheres e homens atendidos pelos serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) e de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF), nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) da cidade, puderam assistir a diversas sessões da peça.
Essa iniciativa, que também incluiu funcionárias dos CRAS e de unidades de acolhimento, visa trazer à tona a dura realidade da violência contra a mulher, que frequentemente ocorre no ambiente familiar. Para as duas últimas apresentações desta semana, que marcam o fim da temporada da obra, espera-se a presença de 80 a 100 pessoas ligadas à SMAS, incluindo técnicos, diretores, servidores e usuários da assistência social do município.
“O Último Dia”, inspirada na obra homônima da jornalista Mariana Reade e do desembargador Wagner Cinelli, promove uma reflexão profunda sobre os ciclos de abuso físico, psicológico, sexual, moral e patrimonial que afetam tantas mulheres. Nos CRAS e nos CREAS (Centros de Referência Especializados de Assistência Social), assim como no teatro, a SMAS tem distribuído uma cartilha educativa intitulada “O amor não machuca”, que complementa as discussões abordadas na peça e busca educar o público sobre como combater a violência contra a mulher.
A cartilha apresenta os sinais de um relacionamento abusivo, comportamentos tóxicos e detalha os diferentes tipos de violência, com base na Lei Maria da Penha. Além disso, traz informações sobre feminicídio, medidas protetivas e orientações sobre como realizar denúncias.
A subsecretária de Proteção Social Básica da SMAS, Quesia Betânia de Almeida, enfatiza a importância de expandir essa discussão para o maior número possível de mulheres atendidas pela rede de assistência. Jéssica Almeida, subsecretária de Proteção Social Especial da SMAS, que estava presente na sessão inaugural, destacou o tratamento realista e impactante do feminicídio pela peça, afirmando que esse debate precisa ser ampliado, dada a alarmante e inaceitável taxa de feminicídios no Brasil.
“O Último Dia” estreou no dia 7 de abril, com apresentações às terças e quartas-feiras, às 19h, e se despede do Centro Cultural Justiça Federal no dia 29. Os ingressos de meia-entrada custam R$ 20. A direção é de Paulo Reis, com produção de Guilherme Nanni e Ana Capella. O elenco conta com Tainá Senna, Eduardo Hoffmann, Ana Carbatti e Julia Tupinambá.
Sobre os serviços SCFV e PAIF, ambos são iniciativas de proteção social básica oferecidas nos CRAS, visando fortalecer os laços familiares e comunitários. As atividades do SCFV incluem programação cultural, rodas de conversa, oficinas artísticas e passeios recreativos, enquanto o PAIF se concentra em visitas domiciliares e acompanhamento das famílias.