Geral

Mercado regulamentado de apostas online gera R$ 7,9 bilhões à Receita Federal no primeiro ano de operação legal no Brasil

Mercado regulamentado de apostas online gera R$ 7,9 bilhões à Receita Federal no primeiro ano de operação legal no Brasil

O primeiro ano completo do mercado regulamentado de apostas online no Brasil terminou com um resultado expressivo para os cofres públicos. De acordo com dados da Receita Federal, as plataformas de bets recolheram R$ 7,9 bilhões em 2025, um aumento de 16.000% em relação ao ano anterior, quando a arrecadação somava R$ 49 milhões. O resultado é atribuído à nova estrutura legal, que ampliou a base de contribuintes e impôs controles mais rígidos sobre operações de cassinos online e casas de apostas em todo o país.

O desempenho reflete, em parte, a expansão do volume apostado ao longo do ano. Segundo dados do Ministério da Fazenda, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação e publicados pela CNN Brasil, o setor cresceu 32,6% no segundo semestre de 2025 em relação ao primeiro. O volume total de apostas passou de R$ 442,8 bilhões no primeiro semestre para R$ 587,2 bilhões no segundo, diferença de R$ 144,4 bilhões. Os segmentos que mais concentraram recursos foram esporte, com R$ 1,6 bilhão arrecadado, e turismo, com R$ 1,26 bilhão.

Entre os títulos que ganharam destaque no cassino online durante o período está o Aviator, da Spribe. O Aviator na bet KTO registrou 12,24% de popularidade no mês de dezembro de 2025 e se manteve como o único crash game no top 10 geral da plataforma, que opera legalmente no Brasil sob autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas desde janeiro de 2025. O título acumula uma base de usuários grande: segundo a própria KTO, um em cada quatro jogadores ativos na plataforma em 2023 interagiu com o jogo.

O avanço da arrecadação também é acompanhado por novas obrigações para os apostadores. A Receita Federal passou a exigir a declaração dos ganhos com bets no Imposto de Renda Pessoa Física de 2026, conforme explicou a Agência Brasil. A obrigação vale para quem recebeu mais de R$ 28.467,20 em prêmios ao longo de 2025 em apostas de quota fixa. Sobre o valor excedente, incide uma alíquota de 15%, retida na fonte pela própria plataforma.

O debate sobre a carga tributária do setor ganhou novos contornos em 2025. Em outubro, o Ministério da Fazenda elevou a alíquota sobre a receita bruta das bets de 12% para 18%, com previsão de arrecadação adicional de R$ 284,94 milhões no último trimestre do ano. Em dezembro, o Congresso Nacional aprovou nova tributação que fixou a alíquota em 15% a partir de 2026, conforme o relatório de receitas publicado pelo governo federal. A Agência Brasil estima que o conjunto das medidas tributárias sobre bets, fintechs e juros sobre capital próprio deve gerar R$ 4,4 bilhões em 2026.

O mercado ainda enfrenta um desafio relevante em relação às plataformas ilegais. Estudo da LCA Consultores, com apoio do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável, aponta que o país deixa de arrecadar cerca de R$ 10,8 bilhões por ano pela atuação de sites não regulamentados. A pesquisa indica que 61% dos entrevistados apostaram em plataformas irregulares em 2025, e 72% disseram ter dificuldade em identificar se um site é legal ou não.

O SBC Summit de 2024, que reuniu representantes do setor na Barra da Tijuca, já sinalizava a expectativa de consolidação do mercado regulamentado no Brasil, com foco em conformidade legal, proteção ao apostador e ampliação das plataformas licenciadas. O resultado da arrecadação de 2025 confirma parte dessas projeções, embora o combate ao mercado ilegal siga como uma das prioridades para o setor.