Os acidentes envolvendo motocicletas estão em destaque nas estatísticas de atendimentos nos hospitais do Rio de Janeiro. Durante o mês de maio, que marca a campanha Maio Amarelo, essa questão se torna ainda mais evidente, já que a iniciativa visa promover a conscientização sobre a segurança no trânsito. Em resposta a essa problemática, a Prefeitura do Rio implementou, no ano passado, o Plano Municipal de Segurança Viária, com metas para reduzir o número de fatalidades no trânsito até 2030.
Os dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) revelam a magnitude dos acidentes de trânsito no cotidiano dos hospitais de emergência da capital fluminense. Em 2025, foram registrados 47.075 atendimentos a vítimas de acidentes de transporte terrestre, conforme informações do Observatório Epidemiológico da cidade, gerido pelo Centro de Inteligência Epidemiológica. O Hospital Municipal Souza Aguiar, localizado no Centro, foi o mais demandado, seguido pelo Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, evidenciando a pressão sobre as unidades de trauma.
O secretário municipal de saúde, Rodrigo Prado, comentou sobre o aumento dos atendimentos: “Diariamente, nossos hospitais recebem um número crescente de vítimas de acidentes de trânsito, muitos dos quais poderiam ser evitados. A predominância de motociclistas nos atendimentos impacta a capacidade de resposta das unidades. Para atender essa demanda crescente, criamos setores específicos para vítimas de acidentes nos Hospitais Municipal Barata Ribeiro e do Andaraí, buscando proporcionar um atendimento mais ágil e apropriado. Contudo, a prevenção é fundamental – um trânsito seguro depende da responsabilidade de todos.”
De acordo com o Relatório de Segurança Viária de 2025, os acidentes com motocicletas são responsáveis por 68,2% dos atendimentos nos últimos três anos. Além disso, esses veículos estão envolvidos em 69,5% das notificações de acidentes, conforme dados do EpiRio. Esse cenário é reflexo do aumento na quantidade de motocicletas nas ruas, o que eleva tanto a exposição ao risco quanto a gravidade dos acidentes.
Nos primeiros quatro meses de 2026, já foram contabilizados mais de 11,9 mil atendimentos a motoristas de motocicletas na rede pública. Além de sobrecarregar os serviços de saúde, os acidentes de trânsito acarretam custos significativos para o sistema de saúde pública, demandando leitos, equipes capacitados e recursos avançados para o tratamento de traumas. As repercussões sociais e econômicas também são severas, afetando principalmente jovens adultos e suas famílias.
Durante a campanha Maio Amarelo, a Secretaria Municipal de Saúde destaca a importância de práticas seguras no trânsito, como respeitar os limites de velocidade, evitar o uso de celulares enquanto dirige, não consumir álcool antes de dirigir e utilizar equipamentos de segurança, como capacetes e cintos de segurança.