O Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, agora conta com o Observatório do Calor, uma iniciativa da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (SMAC) em colaboração com a ONG Voz das Comunidades. Após o lançamento do projeto no ano passado, a SMAC expandiu suas atividades para duas novas comunidades da Zona Norte: Manguinhos e Salgueiro, em parceria com a UFRJ e UERJ, respectivamente.
Manguinhos está situada próxima à Avenida Brasil, uma das principais artérias da cidade, e ao campus da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Por sua vez, Salgueiro está localizado nas proximidades da área de amortecimento do Parque Nacional da Tijuca. O projeto adota a metodologia de Geração Cidadã de Dados, que envolve os moradores na coleta e análise de informações sobre suas próprias realidades. A proposta foca na instalação de sensores que medem temperatura e umidade, com a finalidade de identificar e monitorar as ilhas de calor e a qualidade do ar.
O objetivo central do Observatório é transformar os dados coletados em políticas públicas que possam efetivamente atender às necessidades locais. A SMAC enfatiza a importância de unir tecnologia, participação da comunidade e justiça climática em suas ações. A expansão do programa foi anunciada em um evento realizado no Teatro Carlos Gomes, no Centro do Rio, onde a secretária Tainá de Paula destacou a relevância da participação cidadã: “O calor extremo e a poluição do ar representam ameaças significativas à saúde, especialmente em áreas vulneráveis. O Observatório do Calor nos proporciona uma compreensão mais aprofundada desses impactos e nos permite agir de maneira efetiva para proteger os cidadãos.”
As universidades envolvidas no projeto também expressaram entusiasmo pela colaboração. A professora Giselle Arteiro Azevedo, da UFRJ, ressaltou a importância de aprender com os moradores de Manguinhos, enfatizando o compromisso da universidade em abordar questões emergentes de justiça climática e ambiental. Ela observou que a falta de espaços verdes na comunidade pode ser evidenciada pelos dados coletados.
Zoy Anastassakis, diretora da Escola Superior de Desenho Industrial da UERJ, elogiou a iniciativa da SMAC e afirmou que o conhecimento acumulado no Salgueiro pode ser compartilhado com outras comunidades para desenvolver soluções climáticas. “O Observatório do Calor é uma grande oportunidade para fortalecer a relação entre a administração pública, as comunidades e as universidades, contribuindo para políticas públicas fundamentadas em situações reais,” completou.
Marcelo da Paz Rocha, vice-presidente do Caxambu do Salgueiro e integrante do coletivo de Erveiros e Erveiras, mencionou a capacidade da comunidade em contribuir para as discussões sobre sustentabilidade. Ele destacou a relevância do relatório que será elaborado com os dados coletados no Morro do Salgueiro, que poderá servir como base para a formulação de políticas públicas adequadas às necessidades locais.
Durante o evento, a ONG Voz das Comunidades apresentou os resultados de uma pesquisa realizada no Complexo do Alemão entre setembro de 2025 e janeiro de 2026, que incluiu 710 medições técnicas e 740 entrevistas com moradores. Os dados revelaram picos de temperatura alarmantes, como os 43,92 ºC registrados no Morro do Adeus em 26 de dezembro de 2025, em contraste com a máxima de 34 ºC registrada na Zona Sul e no Centro. Além disso, a pesquisa destacou a existência de microclimas urbanos distintos dentro da comunidade, com temperaturas extremas superiores a 40ºC e seus impactos diretos na saúde e bem-estar da população.
Para mais informações sobre o Observatório do Calor, acesse o site oficial.

